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Ciência em movimento: museus da UFPR renovam espaços e ampliam o acesso ao conhecimento

Projetos de pós-graduação e extensão fortalecem a preservação, digitalização e abertura de acervos, reforçando o papel da Universidade na divulgação científica 

Por: Laura Chimka

Fotos: Marcos Solivan Camargo e Museu de Anatomia Comparada UFPR

Supervisão: Ana Paula Heck

 

Museus são espaços onde conhecimento, memória e experiência se encontram. Mais que guardar objetos, criam oportunidades para que diferentes públicos se aproximem da ciência, da cultura e das histórias que moldam o mundo e o conhecimento. 

Em instituições como a Universidade Federal do Paraná, esse papel ganha ainda mais força: cada acervo preservado e coleção estudada tornam-se parte do legado que orienta novas pesquisas e amplia o acesso ao conhecimento. 

Alguns exemplos são a reinauguração do Museu de Ciências Naturais (MCN-UFPR) e o Programa de Digitalização do Acervo do Museu de Anatomia Comparada (MAC-UFPR), que avançam tanto na expansão dos espaços quanto na ampliação do acesso público às coleções científicas. 

 

O MCN-UFPR e sua missão de aproximar ciência e comunidade 

 

Reinaugurado em outubro de 2025, o Museu de Ciências Naturais reafirma sua missão de despertar curiosidade, estimular a compreensão sobre seres vivos e aproximar o público da ciência.

 

Situado no prédio central do Setor de Ciências Biológicas, no Centro Politécnico em Curitiba, o MCN passou por uma reforma que não apenas ampliou a estrutura física, mas transformou suas formas de interação com visitantes. A proposta é integrar ainda mais a produção científica da UFPR aos diferentes públicos que circulam pelo espaço. 

O acervo do MCN reúne exposições permanentes e temporárias que exploram a diversidade da vida e dos ambientes naturais, combinando organismos vivos, materiais preservados – como taxidermias, amostras botânicas e esqueletos -, além de uma série de réplicas científicas que ajudam a compreender diferentes aspectos da natureza. O público encontra painéis, infográficos, vídeos e uma grande parede com dez lóculos de terrários, aquários e aquaterrários. 

 

Referência no Paraná, o museu também promove visitas mediadas por monitores, oficinas, cursos, exposições itinerantes, seminários, palestras e atividades práticas, voltadas tanto a docentes quanto a estudantes da UFPR e de outras instituições de ensino superior. 

A professora Rosana Moreira da Rocha, integrante dos Programas de Pós-Graduação em Zoologia, Ecologia e Conservação e Profbio Ensino de Biologia em Rede Nacional, explica que “neste espaço estão sendo apresentados resultados de pesquisa de 10 laboratórios que atuam em 5 programas de Pós-Graduação”. De acordo com a docente, o espaço foi idealizado para receber exposições que apresentem a pesquisa realizada no Setor, além de oferece aos estudantes a oportunidade de atuar e se capacitar para divulgação científica e diálogo com a sociedade. 

A reinauguração foi marcada pela exposição Expedição Caminho das Águas, primeira de quatro que circularão pelo MCN-UFPR e por outras unidades. A mostra apresenta o percurso da água por diferentes paisagens, os organismos que vivem nesses ambientes, processos ecológicos, serviços ambientais e as ameaças que cada local enfrenta. 

 

Fotos da reinauguração do Museu de Ciências Maturais UFPR. Foto: Marcos Solivan Camargo

 

A mostra também inclui um livro organizado pela professora Rosana. Ela explica que a obra surgiu da “ansiedade dos organizadores da exposição em poder aprofundar-se nos temas abordados” e também do desejo de oferecer “atividades extra que poderiam ser inspiradas pela exposição”. A docente acrescenta que “a visita à exposição é mais lúdica e coloca o visitante na posição de pesquisador que inicia uma expedição de pesquisa”, enquanto o e-book “aprofunda conhecimentos e apresenta uma nova gama de atividades que podem ser realizadas em uma segunda visita à exposição ou em sala de aula”. 

Mais de 50 integrantes de diferentes Programas de Pós-Graduação contribuíram para a produção do material, que propõe ao público uma travessia acessível e instigante pelo “caminho das águas”, um percurso de descobertas, aprendizagem e encantamento.

A reinauguração também anunciou o projeto “Amigos do MCN”, liderado por Rodrigo Arantes Reis, que participa do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e em Matemática. A iniciativa conta com dois objetivos: aproximar o público do museu e aumentar sua sustentabilidade financeira. Segundo o professor, “a captação de recursos para museus de ciência geralmente é um desafio e, assim, a pessoa que se torna “amiga” pagará uma anuidade e isso nos ajudará, principalmente, com os custos menores”

Esse esforço coletivo se conecta diretamente à renovação do museu, que fortalece seu compromisso de aproximar ensino, pesquisa e extensão. O museu segue ampliando seu impacto e valorizando uma trajetória que já inspirou milhares de estudantes, docentes e visitantes do Brasil e do exterior.

As visitas ao MCN-UFPR são abertas ao público, sem necessidade de agendamento, a não ser para grupos organizados ou para quem desejar acompanhamento de monitores. Para agendar, basta escrever para biomuseu@ufpr.br ou entrar em contato pelo telefone (41) 3361-1645. O museu funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h30 às 17h30 (exceto feriados) e está localizado no piso térreo do Setor de Ciências Biológicas da UFPR, na Av. Coronel Francisco Heráclito dos Santos, 100.

 

Patrimônio digitalizado: acervo histórico do MAC-UFPR ganha nova vida online

 

Outra iniciativa que fortalece a preservação do patrimônio científico da UFPR e amplia o acesso ao conhecimento é o Programa de Digitalização do Acervo do Museu de Anatomia Comparada (MAC-UFPR), coordenado pela professora Maria Fernanda Pioli Torres, do Programa de Pós-Graduação Profbio Ensino de Biologia em Rede Nacional. O processo de digitalização teve início em 2024 e está previsto para ser concluído até o fim de 2025.

 

Museu de Anatomia Comparada de Mamíferos (MAC-UFPR). Crédito: NAPI Paraná Faz Ciência

 

A ação envolve a reconstrução digital em 3D de peças do acervo de anatomia humana, entre elas a coleção de modelos feitos em cera de abelha, produzidos artesanalmente na França no início do século XX. Essas peças, comuns na época para o ensino de anatomia por reproduzirem com precisão tecidos, órgãos e estruturas do corpo humano, foram adquiridas pela UFPR em 1922 para o recém-criado curso de Medicina e hoje figuram entre os patrimônios científicos mais raros da instituição. A digitalização é feita a partir de um processo de fotografia sistemática, que possibilita recriar virtualmente a forma, a textura e os detalhes anatômicos desses modelos históricos. 

De acordo com a professora Maria, essas peças foram escolhidas pois foram feitas por uma técnica de alta complexidade:

“Foram produzidas por técnica de ceroplastia com cera de abelha que passa por um processo de albuminação e clarificação e, por esses motivos, essa coleção tem valor inestimável e sua restauração requer profissionais capacitados e material de difícil obtenção.” 

 

O Museu de Anatomia Comparada (MAC-UFPR) também está de portas abertas para quem deseja conhecer de perto seu acervo. Assim como o MCN, está localizado no Setor de Ciências Biológicas e as visitas podem ser feitas de terça a sexta-feira, das 8h às 17h, mediante agendamento prévio pelo e-mail museuanatomia@ufpr.br ou pelo telefone 41 93361-1777. 

  

Ciência viva: museus que se renovam e ampliam seu alcance 

 

A reabertura do Museu de Ciências Naturais e o fortalecimento do Museu de Anatomia Comparada reforçam o papel desses espaços da UFPR como pontes entre Universidade e sociedade. 

Cada museu, a seu modo, amplia o acesso ao conhecimento: o MCN aproxima o público da biodiversidade e dos processos naturais, enquanto o MAC revela a complexidade dos seres vivos por meio de seus acervos anatômicos que destacam a pesquisa produzida no Setor de Ciências Biológicas. Juntos, os museus reafirmam o compromisso da UFPR com a formação, a divulgação científica e a criação de experiências que estimulam curiosidade, aprendizagem e diálogo com a comunidade. 

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Sobre a Agência Escola UFPR

A Agência Escola UFPR, a AE, é um projeto criado pelo Setor de Artes, Comunicação e Design (SACOD) para conectar ciência e sociedade. Desde 2018, possui uma equipe multidisciplinar de diversas áreas, cursos e programas que colocam em prática a divulgação científica. Para apresentar aos nossos públicos as pesquisas da UFPR, produzimos conteúdos em vários formatos, como matérias, reportagens, podcasts, audiovisuais, eventos e muito mais.

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